segunda-feira, 12 de julho de 2010

5ª Romaria da Floresta


Povo de fé nos céus e de pé nos chãos

(foto da 4ª Romaria, fonte: blog do Comitê Dorothy)

Após cinco anos do assassinato de irmã Dorothy Stang (12/02/05), o povo continua sua luta. Vejam o convite para a 5ª Romaria da Floresta.

CONVITE PARA A 5ª ROMARIA DA FORESTA

“Se quiser a Paz, faça a Justiça.”
Nos 22 a 25 de julho de 2010, em Anapu/PA, haverá a 5ª Romaria da Floresta. Os romeiros e as romeiras caminharão do túmulo da Irmã Dorothy, no Centro São Rafael até a Cruz marcando o lugar onde Irmã Dorothy foi assassinada no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança (PDS) no 12 de fevereiro de 2005.
Esta caminhada é de fé, de resistência, de celebração e esperança. Temos fé de que Deus está conosco, o povo organizado em defesa da vida, a vida do povo e da floresta. As forças de ganância que devoriam a floresta para gerar lucro são grandes e fortes. Caminhamos para declarar e mostrar que não estamos nos entregando a estas forças, mas sim, as resistindo.
Dorothy as resistiu, até as últimas conseqüências, e nós ficamos. Assumimos esta luta também e caminhamos juntas e juntos. Queremos a terra e condições e segurança para trabalhar nela em harmonia com a floresta.
Junte-se a nós, caminhemos juntas. Venha. Seja um romeiro, uma romeira da Floresta. Traga sua mensagem. Sente a força do povo unido e organizado em defesa da vida. Fortaleça sua fé e coragem em memória da Irmã Dorothy e na confiança que esta luta pela vida continua e você pode fazer parte!
A concentração vai ser no Centro São Rafael, Anapu a partir de meio dia. Pode dormir no Centro no 21 de julho. A saída da romaria será às 15horas, no 23 de julho. Chegaremos no PDS à tarde no 24 de julho. No 25 de julho, celebramos a Santa Missa no local da Cruz onde Ir. Dorothy foi morta. Em seguida haverá almoço, e depois uma brincadeira/festa com o povo do PDS. Às 17 horas os transportes contratados trarão os romeiros e as romeiras de volta para Anapu.
Traga prato, colher, copo, rede e cordas ou barraquinha, sapatos ou sandália confortável, chapéu ou boné. Prepare uma mensagem, canto, poesia, oração, cartaz, faixa, teatro para ser partilhado ao longo da caminhada.

Estamos esperando você!

Um abraço,
A Comissão Organizativa
“Terra tem que ser para sempre, temos que pensar
naqueles e naquelas que vê deois de nós.”

Ir. Dorothy

quarta-feira, 9 de junho de 2010

IR. DOROTHY! QUERO CONVERSAR COM VOCÊ!

Querida amiga! Hoje, 07 de junho, é dia do seu aniversário. Parabéns! Creio que você esteja celebrando os seus 79 anos de vida doada de forma simples, alegre e discreta, como sempre fez. Gostaria poder dar-lhe um abraço, mas como agora estamos separadas por diferentes formas de vida, vou conversar com você. Já tantas vezes desejei que você “descanse em paz”, mas neste dia peço “hora extra” de sua atenção.
Hoje cedo fomos ao Tribunal de Justiça do Pará. Levei um ramo de flores para sua amiga Ir. Rebeca. Eram as flores de seu aniversário. Não deu para fazer um bolo e acender a velinha. Alguém terá feito isto onde você está. Amigos ali não devem faltar.
Mas você sabe Ir. Dorothy! Hoje foi o julgamento do recurso do HC (habeas corpus) do Regivaldo Galvão, acusado de mandar matar você. Ele foi condenado a trinta anos de prisão. O povo de Anapu e nós, seus amigos e amigas, também ficamos felizes, não porque alguém foi condenado, mas porque assim se proclama que a vida vale mais do que bens materiais.
Logo em seguida seu advogado Jânio Siqueira recorreu, a desembargadora Maria de Nazaré Gouveia concedeu liminar de liberdade provisória e hoje mais cinco desembargadores foram favoráveis ao habeas corpus liberatório.
Nós estávamos lá. O advogado disse tantas coisas que nos deixou indignados/as. Disse que havíamos desrespeitado o Tribunal de Justiça do Pará, que éramos vingativos, que não conhecíamos o Direito, que havíamos afirmado que a soltura do Regivaldo se devia ao fato de ele ser rico, e mais uma porção de acusações. Chegou a gritar conosco, dizendo que deveríamos respeitar o Tribunal. Você viu que estavam presentes diversos de seus amigos, como o Dr. Felício Pontes, a Dra. Mary Cohen, membros da sua Congregação, do Comitê Dorothy, da CRB. Nenhuma dessas pessoas está envolvida em atos de vingança ou de desrespeito às Instituições. Pelo contrário, todas/os zelosas/os em defender a vida e o direito, solidárias com as vítimas da violência.
Agora gostaria que você nos ajudasse a entender algumas coisas. É verdade que não conhecemos todas as Leis do Direito brasileiro. Ainda mais que mudam tanto e quando se trata de casuísmos, ali mesmo que não acompanhamos. Também nem temos tempo de ler tudo isto, pois tantas vezes temos que ser ombro amigo para pessoas que choram a morte de seus. O Advogado chegou a dizer que faltam livros de Direito em nossas bibliotecas. Faltam mesmo, pois nem todos já chegaram às livrarias e a preços acessíveis. Por outro lado me parece que faltam também livros na biblioteca do Dr. Jânio, pois voltou a vincular e justificar o seu assassinato com a prisão de Guantánamo. Qualquer pessoa de senso comum percebe a insanidade do argumento.
Outra coisa Ir. Dorothy que você poderia nos ajudar, já que lhe pedimos hora extra. O advogado insistiu que havíamos afirmado que a soltura do Regivaldo seria por ele ser rico. Mesmo que não se queira sustentar tal afirmação, pois se desrespeita a Justiça, os fatos levam a gente a concluir que o dinheiro é o poder maior: se fosse pobre, estaria preso, até porque não teria como pagar advogado e levar avante o pedido de HC. Neste caso ainda, por que os pistoleiros ficam presos e o mandante não? Você poderia nos esclarecer isto? Fale com Deus sobre este assunto.
Querida Dorothy! Sendo hoje dia do seu aniversário, pedimos perdão por não fazermos uma memória mais feliz de sua vida. Mas como presente de seu aniversário, lhe afirmamos que cremos que esta história toda a Deus pertence e Ele ainda não deu o seu ponto final. Até então, há sempre esperanças de que muitas flores brotarão de seu sangue semeado neste chão.

Ir. Zenilda Luzia Petry - IFSJ
CRB Regional

terça-feira, 11 de maio de 2010

MANDANTES E ASSASSINOS, JULGADOS E CONDENADOS.

A justiça tarda, mas não falta”, eis um ditado popular verdadeiro. Quando o povo fala este ditado fica claro que a morosidade da justiça tem contribuído para o adiamento constante da consolidação democrática do país, ou seja, não teremos autêntica democracia sem a presença eficaz da justiça social. Esta deve permanecer presente como ferramenta necessária na construção de uma sociedade de iguais. A luta constante de muitos membros da Igreja é para que a justiça de fato funcione e que todos, principalmente os pobres, que são os mais injustiçados, tenham seus direitos respeitados.

A missionária norte-americana Ir. Dorothy Stang, assassinada a tiros no dia 12 de fevereiro de 2005 em Anapu, PA é um dos modelos de martírio da Igreja atual. O dom do martírio é concedido por Deus às mulheres e homens que se deixam conduzir pelo Espírito Santo. O mártir não morre à toa. Não se pode atribuir a graça do martírio a qualquer assassinato que acontece na sociedade. O mártir é a pessoa que se encontrando no seguimento de Jesus de Nazaré e guiado por seu Espírito entrega a sua vida pela causa do Reino de Deus. Eis o conceito clássico e autêntico de martírio. Desta forma, fica claro que não existe martírio fora do seguimento de Jesus, nem sem a devida referência ao Reino de Deus. A Ir. Dorothy Stang morreu pela justiça do Reino de Deus.

No início da madrugada deste 1º de maio, Regivaldo Pereira Galvão, “o Taradão”, um dos mandantes do crime, foi condenado a 30 anos de prisão pela Justiça do Estado do Pará. Antes deste, outros quatro também foram condenados, a saber: Rayfran das Neves Sales, condenado a 28 anos, por executar a Irmã; Clodoaldo Calos Batista, condenado a 17 anos, por participar do assassinato; Amair Feijoli da Cunha, condenado a 18 anos, por intermediar a contratação do executor; Vitalmiro Bastos de Moura, “o Bida”, condenado a 30 anos, um dos mandantes do crime. O crime teria sido encomendado a um valor de 50 mil reais.

Estes cinco criminosos tentaram calar a voz da Igreja na Amazônia. A Ir. Dorothy não agia em seu próprio nome, mas em nome de Deus e em comunhão com a Igreja. Hoje, sua missão é assumida por um Bispo profeta, Dom Erwin Krautler, missionário austríaco na Prelazia do Xingu, e por tantas mulheres e homens que trabalham na construção do Reino de Deus, perseguidos e mortos, clandestinamente. A fé cristã é dinâmica e o sangue dos mártires fecunda a vida da Igreja e do mundo. Todo assassino perde seu tempo pensando que matando um (a) missionário (a) de Jesus a missão profética acabará. O Espírito de Deus tem despertado profetas e profetisas na hora e nas circunstâncias certas da história.

A justiça paraense não pode aceitar recurso algum para redução de pena, anulação de julgamento, habeas corpus etc. em favor de tais criminosos. Eles precisam responder pelo que fizeram. São uma ameaça ao convívio social, precisam ser mantidos presos, pois tudo o que ameaça a segurança pública e a vida da Amazônia precisa estar no estado constante de vigilância. A Justiça sabe da necessidade de um olhar prudente e permanente para a situação da floresta amazônica. Políticas de segurança pública são urgentes para a proteção da floresta e dos povos indígenas que lá residem. A Amazônia é patrimônio da nação brasileira e da saúde do planeta e precisa ser protegida urgentemente. Não se pode mais tolerar o desmatamento, a poluição e a grilagem de terras que ocorrem desordenadamente.

O martírio da Irmã Dorothy Stang interpela a Igreja e a todos os cristãos a se empenharem cada vez mais na luta pela justiça do Reino de Deus. O Reino acontece quando os seguidores de Jesus buscam viver o amor e a justiça. O testemunho da Ir. Dorothy é de amor e de justiça. As Igrejas cristãs precisam renunciar ao prestígio e as riquezas para se dedicarem cada vez mais à prática da justiça. Uma Igreja inserida na luta pela libertação dos oprimidos é uma Igreja de mártires, pois os poderosos deste mundo não toleram os profetas e profetisas do Reino. Somente a profecia, vivida na verdade e no amor, constrói verdadeiramente a Igreja e uma sociedade justa e fraterna.

Tiago de França

UM JULGAMENTO HISTÓRICO

Elias Diniz Sacramento


Depois de mais de quinhentos e dez anos da chegada dos portugueses no Brasil, e dos seus crimes contra todos os povos indígenas, que nunca foram punidos, os latifundiários deste país, que sempre seguiram o exemplo dos portugueses, vão pensar duas vezes antes de cometerem algum mal contra alguém que luta e defende os pequenos desta terra.

Pela primeira vez na história desse país e, mais precisamente no Estado do Pará, campeão em violência no campo, graças ao reinado da impunidade, uma quadrilha toda foi colocada atrás das grades para pagar, perante a lei dos homens pelo crime que cometeram. O crime, o assassinato da Irmã Dorothy Mae Stang, não só Irmã, mas como um dos sobrenomes sugere, “Mae”, “Mãe” dos que com ela conviveram, dos irmãos e filhos de Anapu, filhos sofridos e por ela amados.

Diversas vezes, os meios de comunicação da elite insinuaram que o processo só estava correndo mais rápido porque a Irmã Dorothy era estrangeira, norte americana. Mentiram, porque quem ama o próximo não tem fronteiras, não tem país, vive no amor de Cristo, que é Universal. Esse amor, a Irmã Dorothy soube levar por onde passou. O amor da fraternidade, da partilha, diferente do amor dos fazendeiros, dos grileiros de terra, dos que vêm de fora para esta terra pensando no egoísmo, de ganharem muito dinheiro apenas para si mesmo. Quando pensam nos outros, é para explorar. O amor da Irmã Dorothy era para partilhar o bem comum das terras sem devastar. São pensamentos diferentes e projetos diferentes, onde a ganância de alguns contrasta com o amor dos pobres e oprimidos.

Quantos já morreram por causa desse projeto coletivo, da partilha da terra para dar um sustento digno para as famílias desse país, que também são filhos desta Pátria, às vezes não muito gentil com seus filhos? Irmã Adelaide Molinari, Padre Josimo Tavares, o pai e os filhos Canuto, Dema, Dezinho, Expedito Ribeiro, Benezinho, meu pai Virgílio Serrão Sacramento, 19 Sem Terra em Eldorado dos Carajás e muitos e muitos outros que não pensaram duas vezes de que lado ficar em nome do amor, o verdadeiro amor ensinado por Jesus Cristo, que diz “Não existe prova de amor maior, do que doar a vida pelo próprio irmão”.

O julgamento e a condenação de todos os acusados pelo envolvimento na morte da Irmã Dorothy significam muito para toda a sociedade brasileira, mas precisamente paraense. Não significa dizer que a impunidade no campo acabou, mas que exemplarmente, houve uma condenação justa, que embora se saiba que existem outros fazendeiros de Anapu envolvidos no assassinato, agora vão pensar mais quando forem tirar a vida de alguém que defende o projeto de Deus nesta terra. Isso não quer dizer que daqui para frente a criminalidade vai acabar, porém esses gananciosos, a partir dessa condenação, já sabem que com fé em Deus e muita pressão, a Justiça funciona.

Condenar todos os assassinos da irmã Dorothy, não significa dizer que a luta acabou. Há muitos outros processos que precisam ser julgados e nós vamos continuar nessa batalha para que eles possam ser levados a júri popular. Entretanto, essas condenações têm um significado muito grande. A partir de agora, os grandes latifundiários gananciosos sabem que as coisas não são mais como eles pensavam - tomar terras, matar e tudo ficar impune, como sempre aconteceu.

Tenho certeza que todos os que morreram lutando por um projeto de igualdade, neste Brasil e nesta Amazônia, não morreram em vão, e eles, os MÁRTIRES DA TERRA, assim com nós, estão felizes com a condenação de Regivaldo Galvão. Devem estar comemorando no Céu com a Irmã Dorothy esta vitória.

Todos os Mártires da Terra Vivem? Sempre! Sempre!

Irmã Dorothy vive? Sempre! Sempre!


Elias Diniz Sacramento é filho do sindicalista Virgílio Serrão Sacramento, assassinado em Moju no dia 05 de abril de 1987 a mando de grileiros do município. É Mestre em História Social da Amazônia pela UFPA. Autor do livro 'A luta pela terra numa parte da Amazônia: o trágico 07 de setembro de 1984 em Moju'. É Membro da fundação Virgílio Serrão Sacramento de Educação e colaborador da CPT Guajarina.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

QUE TUA SERVA, SENHOR, DESCANSE EM PAZ!

Quando a justiça e a verdade germinam na terra, o amor e a paz desabrocham quais flores viçosas. É destas flores viçosas que fazemos um ramalhete e depositamos na sepultura de Ir. Dorothy, acompanhada de nossa prece: Agora Senhor, deixa tua serva partir em paz (cf. Lc 2,29).
Sim! Dia 30 de abril de 2010 encerrou-se uma fase da história do sangue derramado que manchou o solo de Anapu, aos 12 de fevereiro de 2005. Este sangue de Ir. Dorothy uniu-se ao sangue de tantas vítimas, cujas veias foram rasgadas pela violência e cobiça que golpeia nossa terra, gerando um mar de lágrimas.
O sangue de Ir. Dorothy, unido ao sangue das outras vítimas da violência, tanto no campo quanto na cidade, fez jorrar um rio de clamores por justiça e uniu pessoas de credos, etnias e condições culturais e sociais distintas. Um brado só chegou ao coração da justiça e, porque não dizer, ao coração de Deus.
A história ainda não deu sua última palavra, mas a força do clamor por justiça, contra a impunidade, resultou na condenação dos cinco acusados da morte de Ir. Dorothy.
Quando, na madrugada deste dia 1º de maio a sentença foi proferida, não foi apenas uma sentença contra um dos mandantes do crime de Ir. Dorothy. Era uma brecha de esperança que se abria para todas as pessoas que sofrem a dor da perda dos seus, cuja justiça tarda demais e não permite que as vítimas “descansem em paz”.
Longe de qualquer sentimento de vingança, a condenação de Regivaldo Pereira Galvão é uma convocação para que todos e todas prossigamos na busca de um mundo mais humano, justo e solidário, sem violência e sem impunidade. Que o amor e a verdade se encontrem e que a justiça e a paz se abracem, conforme reza o salmista (Sl 85,11) e cuja prece também fazemos.
E que agora Ir. Dorothy possa descansar em paz, porque cabe a nós o cultivo das sementes jogadas no chão da história.
Ir. Zenilda Luzia Petry – IFSJ
Presidente da CRB Regional

A FORÇA E A FÉ DE UM COMITÊ

A vida é o oposto da morte e os pensamentos de morte são necessários se queremos pensar de maneira significativa na vida .... as mais intensas experiências de vida acarretam as mais intensas experiências de morte (Rollo May, em Liberdade e Destino).
Com este pensamento acima quero testemunhar e reconhecer a força e a fé de um comitê. Trata-se do Comitê Ir. Dorothy, constituído por pessoas cujos sonhos convergiram nesta direção de pensar na vida de maneira significativa, a partir de uma intensa experiência de morte.
Em Anapu, há cinco anos, morria Ir. Dorothy. Sua morte deu novo significado à vida de muitas pessoas. A luta por justiça, o clamor contra a impunidade, a articulação de iniciativas em prol da verdade, a sustentação dos sonhos de quem acreditou num desenvolvimento sustentável para a Amazônia, tudo isto fez surgir o Comitê que, imbuído de força e fé, se pôs solidário com outras experiências intensas de morte, marcadas pela violência e acompanhadas da impunidade
O Comitê Dorothy é fruto de uma intensa experiência de morte que resultou numa grande experiência de vida. Participantes da primeira hora já deixaram atrás de si um testemunho inegável de doação, generosidade, entrega sem medidas. Este testemunho vai se fazendo convocação para outras pessoas que se somam ao sonho comum de que é com justiça que se faz um mundo novo.
O Julgamento do quinto acusado exigiu de todos e todas, o empenho redobrado. Muita emoção a ser contida, muita articulação a ser feita, uma doação sem precedentes. Mulheres e homens, jovens e idosas, montando acampamento, providenciando recursos zelando pelos alimentos, acolhendo pessoas. Noites sem dormir, madrugadores em vigília, atenção redobrada. Além de ser suporte para os que responsáveis do processo judicial, o Comitê, junto com outras entidades, sustentou a mística da resistência para se chegar ao julgamento de todos os acusados.
A maior alegria do Comitê Dorothy não é, certamente, a condenação das pessoas acusadas, mas o sinal de que a impunidade não tem a última palavra. E por ser tal seu norte, o Comitê vai se tornando referência para tantas outras pessoas que clamam por justiça. A frase repetida nas praças por tantas pessoas - mataram meu filho e não consigo a justiça – convoca o Comitê a prosseguir na força e na fé.
A gratidão e o reconhecimento de quem testemunhou tanta solidariedade.
Ir. Zenilda Luzia Petry – IFSJ
Presidente da CRB Regional
( CRB - Conferência dos Religiosos do Brasil)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

NOTA À IMPRENSA

JURI DE REGIVALDO GALVÃO, PRINCIPAL MANDANTE DO ASSASSINATO DE DOROTHY STANG

Regivaldo integrava de uma quadrilha especializada na prática de vários crimes


Fraudes, agiotagem e desvios de recursos públicos - Investigações realizadas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal a partir de 2001, comprovaram que Regivlado Pereira Galvão representava um dos principais elos da organização criminosa especializada em grilagem de terras públicas, uso de pistolagem e desvios de recursos públicos da extinta SUDAM. Sua casa funcionava como um “banco da organização”, auxiliando nas fraudes e na lavagem do dinheiro adquirido mediante os projetos fraudulentos e fornecendo capital para que a quadrilha pudesse implementar os negócios paralelos. A Polícia Federal apreendeu em seu “banco de financiamento doméstico”, o total de R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais) em moeda circulante. Foi denunciado por crimes de formação de quadrilha, estelionato e outros, na Justiça Federal do Estado do Tocantins. Regivaldo, também conhecido como ‘Taradão’, fazia parte da “engrenagem de uma azeitada máquina fraudadora, denominada máfia da Transamazônica, que por muitos anos sugou milhões dos cofres públicos”, afirma o MPF. Ainda segundo as investigações, Regivaldo era um dos principais operadores do esquema criminoso, por ter fortes ligações com políticos regionais e com o então senador e atual deputado federal, Jader Barbalho.

Grilagem de terras públicas, uso de laranjas, violência e pistolagem - O lote 55 da Gleba Bacajá, local onde a Missionária Dorothy Stang foi assassinada, estava na área de interesse do grupo de fraudadores da SUDAM... (O artigo é longo mas vale a pena - LEIA MAIS AQUI)
Comissão Pastoral da Terra – CPT Regional Pará