quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quinto aniversário do assassinato de Irmã Dorothy Mae Stang

"não somente o evangelho de Deus,

mas até a própria vida"

1 Tes 2,8

Cinco anos passaram desde aquele fatídico sábado em que Rayfran e Clodoaldo, empregados de Tato, cruzaram o caminho da Irmã Dorothy, não para cumprimentá-la, mas para executar o sinistro plano, há tempo concebido pelo consórcio do crime, e cumprir o nefasto papel de matar a Irmã que dedicou toda a sua vida aos pobres.

Os pobres de hoje não são apenas uns explorados e oprimidos. São excluídos, expulsos da sociedade e da terra por serem considerados "supérfluos" (cf. DAp 65). Irmã Dorothy fez a opção de sua vida exatamente por essas pessoas, por essas famílias "sem eira nem beira", desprezadas e maltratadas, sem perspectivas num mundo em que perderam sua pátria.

Foi aos pobres, que Deus assegurou seu amor incondicional e preferencial. As palavras do profeta Jeremias calaram fundo no coração de Dorothy: "Ponde em prática a justiça e o direito, livrai o oprimido das mãos do opressor, nunca prejudiqueis ou exploreis o migrante, o órfão e a viúva nem jamais derrameis sangue inocente no país" (Jer 22,3). Dorothy não apenas acompanhou as famílias de Anapu e da Transamazônica na busca de seus direitos e defendeu seus interesses, peregrinando de repartição em repartição, procurando falar com prefeitos, vereadores, deputados, senadores. Dorothy fez e foi muito mais: Ela amou! E esse amor fez vibrar cada uma das fibras de seu coração. Ela foi mãe, foi irmã, foi filha de seu povo! Dorothy nos lembra a passagem tão sugestiva na primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Apresentamo-nos no meio de vós cheios de bondade, como u'a mãe que acaricia os seus filhinhos. Tanto bem vos queríamos que desejávamos dar-vos não somente o evangelho de Deus, mas até a própria vida, de tanto amor que vos tínhamos" (1 Tes 2,7-8).

Naquela manhã de sábado, 12 de fevereiro de 2005, ela testemunhou "o evangelho de Deus", derramando o seu próprio sangue. Foi morta porque amou sem medida, foi trucidada porque entendeu que seu lugar era "ao lado dessas pessoas constantemente humilhadas" [1] foi assassinada porque abraçou "a justiça e o direito" e lutou para livrar "o oprimido das mãos do opressor" (Jer 22,3), foi eliminada do meio do povo pobre porque contrariou os interesses e ambições de "gente que se considera poderosa", como ela mesma costumava expressar-se.
Dorothy viveu em vida a opção pelos pobres sem deixar-se intimidar ou constranger. Com a sua morte, porém, Dorothy ultrapassou todos os limites e fronteiras. Sacudiu o mundo, descerrando a face ensanguentada da Amazônia, fazendo ecoar os gritos e revelando as dores que golpeiam os povos que aqui vivem.

Cinco anos passaram! Cinco anos, também repletos de tramas e trâmites judiciais. Prisões efetuadas com grande alarde, sentenças condenatórias solenemente proferidas e com a mesma solenidade anuladas, pedidos de habeas corpus deferidos e liberdade provisória concedida. Sempre novas versões do crime, chegando até ao cúmulo absurdo de transformar a vítima em ré, alegando legítima defesa.

Há poucos dias um dos acusados é preso outra vez [2] . Foi condenado a 30 anos e absolvido em um segundo julgamento. Agora outro recurso consegue anular o veredicto anterior e o fazendeiro recebe novamente voz de prisão. E a imprensa divulga o fato como se fosse a prova mais convincente de que a Justiça funciona. Só tem um detalhe! Nós todos já estamos saturados de tais notícias. Em breve, algum advogado experto vai achar outra brecha na legislação e o homem conseguirá mais um alvará de soltura para acrescentar à sua coleção. O mesmo se diga do tal desaforamento anunciado agora [3]. Precisava cinco anos para chegar a essa conclusão?!

E o consórcio do crime? Nada mais tem a temer! A poeira há tempo sentou. Afinal, já há quem responde pelo homicídio! Por que procurar outros para submetê-los a processos complicados? Por que investigar a quem já não quer lembrar-se de nada? E aqueles que de longa data prepararam o terreno e o ambiente para que a irmã fosse morta? Agora negam tudo! Há pessoas que andaram de cima para baixo com a Dorothy e com ela comeram farofa na casa da Prelazia. Hoje estão do outro lado! Habilitaram-se a jogar no time adversário! É o salmo 41 bem atualizado: "Até meu amigo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou o calcanhar contra mim" (Sl 41 (40),10).

Neste ano de 2010, o mês de fevereiro, em que Irmã Dorothy foi assassinada, ganha mais uma razão para tornar-se histórico. A Amazônia que Dorothy tanto defendeu e pela qual doou sua vida, recebe mais um golpe, desta vez de proporções que ainda nem sequer podemos vislumbrar. O Presidente da República me prometeu pessoalmente [4] a continuação do diálogo sobre o projeto Belo Monte. No dia primeiro deste mês o Ibama tornou pública a licença prévia para que o Xingu fosse barrado. 1522 km2 de destruição à vista: 516 km2 de área inundada e 1006 km2 de área deteriorada porque faltará água!

Todas as 40 condicionantes que a Licença Prévia elenca para serem observadas pela empresa que sairá vitoriosa no leilão, nada mais são que uma confissão pública do Governo que o projeto, se for executado, terá consequências desastrosas. Ao exigir um bilhão e meio de reais em projetos para mitigar os efeitos, o próprio Governo admite de antemão que Belo Monte causará um terrível e irreversível impacto sobre a Amazônia. Onde já se viu tanto esmero para atenuar sequelas antes de iniciar a obra? É a prova cabal de que o próprio Governo sabe que está dando um tiro no escuro. Até esta data, o Ibama nem sequer conseguiu identificar a abrangência e intensidade dos impactos. Como esse órgão então pode realmente atestar a viabilidade de Belo Monte?

Lamentavelmente, quem sofrerá os trágicos efeitos não serão os tecnocratas em Brasília e políticos míopes, mas os povos desta região da Amazônia. O Xingu nunca mais será o mesmo. O solo será danificado, a floresta devastada e das águas turvas e mortas emergirão apenas os esqueletos esbranquiçados das outrora frondosas árvores.
É a política do rolo compressor, é a tática do fato consumado, é o método do autoritarismo que não aceita contestação!

E Dorothy, no seu túmulo, chora a desgraça anunciada!
Mas não deixa de encorajar-nos na luta em favor da vida contra projetos de morte. Nosso caminho é aquele traçado pelo Evangelho. Somos enviados por Jesus para anunciar a Boa Nova aos pobres e denunciar o que se opõe ao Evangelho da Vida, para quebrar as algemas da opressão e tirania, para defender o lar que Deus criou para todos nós e as futuras gerações, e proclamar um ano de graça do Senhor (cf. Lc 4,18-19).


Amém! Marána thá! Vem Senhor Jesus!


Anapu, 12 de fevereiro de 2010


Erwin Kräutler, Bispo do Xingu

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ir. Dorothy, Exemplo de Vida religiosa e Profetismo

No próximo 12 de fevereiro de 2010, celebramos cinco anos do brutal extermínio de Ir. Dorothy Stang, missionária norte-americana que atuava em Anapú – PA. No entanto, mesmo após cinco anos de morte, Dorothy vive! A tentativa de calar aquela que era a voz forte dos camponeses, que não tinham a quem recorrer diante de tanta injustiça e humilhação que vinham sofrendo durante anos, se transformou grande fracasso. Fracassaram os matadores, mandantes, grileiros, madeireiros, grande proprietários de terra, influentes políticos, todos que tentaram calar Ir. Dorothy fracassaram, pois sua voz continua a ressoar, agora de forma mais forte e mais clara, multiplicando-se a cada dia através da voz de homens e mulheres de boa vontade que ao conhecer a luta daquele povo que Dorothy tanto amava, engrossam a fileira dos que lutam por um Pará onde reinam a justiça e a paz.


O martírio de Ir. Dorothy é fruto de uma vida doada pelo anúncio do Evangelho. Anunciar o Amor e denunciar a Injustiça que gera a morte. Essa é a missão dos profetas do nosso tempo, e assim foi a vida de Ir. Dorothy. A vida religiosa fundamenta-se no próprio Cristo, que em sua vida não se cansou de anunciar o Reino e denunciar os erros de uma religião opressiva. O Reino anunciado e inaugurado por Cristo Jesus não se tratava de uma utopia, de um sonho, mas era realidade já vivenciada por aqueles que com ele conviveram.


Esse exemplo que nos vem do Senhor era vivido em toda sua intensidade e sinceridade na vida de Dorothy. No seu jeito simples e acolhedor vivendo pobre com os pobres, partilhando da vida do povo sofrido da Amazônia, porém dando-lhes oportunidade de vislumbrar um novo horizonte, onde o desenvolvimento não se dá através da destruição da floresta, mas da convivência do homem com a mata e com tudo o que ela pode nos oferecer enquanto ainda está de pé. Essa idéia mexeu com todos aqueles que sempre defenderam a bandeira da destruição para o progresso. Mexeu com ricos e poderosos, no entanto, o pior de tudo para eles foi perceber que o que ela defendia era possível, uma forma de manejo sustentável da floresta, que eles viam como obstáculo para o desenvolvimento da região.


Foram grandes os obstáculos enfrentados por ela para dar voz ao povo da floresta, mas ela conseguiu e ainda consegue. Não desanimou, não se calou, não se acovardou, não morreu. Sim, Ir. Dorothy não morreu, continua viva em cada um que não deixa de lutar pelo ideal que sempre pautou sua vida, estar ao lado dos que não têm voz nem vez. Continua viva cada vez que fazemos o mundo lançar um olhar sobre o povo amazônida, o povo simples da floresta, que viva da floresta viva.


A vida religiosa deve ser pautada na vivência concreta do Evangelho, assumindo assim, uma postura profética diante da sociedade em que vivemos, não se calando diante das injustiças e buscando meios eficazes de fazer valer o direito fundamental da pessoa humana, que é o direito à vida. “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”. A vida religiosa tem seu fundamento no próprio Cristo que veio dar vida ao mundo que jaz na sombra do pecado e da morte. Através do testemunho concreto de sua vida o religioso deve transparecer o rosto do próprio Cristo, que é vida para o seu povo.


O profetismo entra então, como conseqüência imediata do viver em Cristo. É impossível seguir Cristo e se acovardar diante da injustiça. O seguimento gera uma configuração ao mestre. Somos Configurados a Ele e Dele aurimos a força necessária para anunciar o Reino de Deus e as injustiças do mundo presente. Assim, o profeta é aquele que vive no mundo, mas não se permite escravizar por ele. Não se deixa prender nem iludir. Esse exemplo podemos ver de forma clara no testemunho da vida de Ir. Dorothy, que agora o mundo começa a conhecer. Por isso, um agricultor exclamou com grande certeza no dia de seu sepultamento: “Dorothy não foi sepultada, foi plantada”. A exemplo do grão de trigo que para dar fruto tem que cair no chão e morrer, assim o mártir-profeta, não abre mão de dar sua vida pelo Reino de Deus.


Hoje, após cinco anos, já vemos os frutos que brotam da semente Dorothy que foi plantada na terra fértil de Anapú. É o povo que não se cansa de lutar, é o mundo que se interessa por esse povo, é a vos do profeta que não pode ser calada, é a voz de dorothy que continua a ressoar pelo mundo: “Cada dia é um desafio, nós temos que conscientizar as pessoas que tudo que precisamos é amar e cuidar da floresta”.


Assumamos nossos postos na frente de combate, sejamos também nós capazes de fazer com que a voz de dorothy não se cale, tenhamos coragem e perseverança para não deixar o sonho do povo da floresta, por conseguinte o sonho de Ir. Dorothy ser esquecido. Também nós somos chamados a ser profetas do nosso tempo! Façamos a nossa parte! Lutemos por uma amazônia viva! Lutemos por uma amazônia livre! Lutemos por uma amazônia onde reina a justiça e impere a Paz!

Pe. Carlos Augusto Azevedo da Silva, tem 27 anos, é Presbítero incardinado na Arquidiocese de Belém e pároco de Sta. Maria Goretti, no bairro do Guamá.
http://padrecarlosaugusto.blogspot.com/

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ir. Dorothy: uma profecia calada, mas não silenciada.

Então o Senhor estendeu a sua mão e tocou-me a boca e me disse: ‘Eis que ponho as minhas palavras em tua boca. Eu te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancar e destruir, para exterminar e demolir, para construir e para plantar’ (Jr.1,9-10).

Dura e fascinante a ordem que o profeta recebe de seu Deus. Sistemas, projetos, mentalidades, nações, que se opõem aos desígnios de Deus, estão sujeitos à atuação vigorosa da profecia. Assim ontem, assim hoje. A profecia é a “via respiratória” dos pobres, é a “válvula” por onde o clamor dos empobrecidos e excluídos chega a Deus.
O profeta Jeremias, em torno do ano 620 a.C., em Anatot, próximo de Jerusalém, na Judéia, encarna esta função a serviço do seu povo. É a voz dos que não conseguem clamar. Não se calou até que outros o calaram, mas sem conseguir silenciá-lo. Sua mensagem ecoa ainda hoje no mundo. Não se pode silenciar um profeta.

Em Anapu, PA, coração da Amazônia brasileira, uma pequena-grande mulher, uma religiosa consagrada, uma norte-americana brasileira, na travessia do século XX para o XXI, tocada pela mão do Senhor, foi constituída para arrancar e demolir por um lado, e por outro, para construir e plantar. Foi igualmente a voz dos que não são considerados em nossa sociedade que se estrutura em torno de uma mentalidade desumanizante. Também Ir. Dorothy, como o profeta Jeremias, foi calada...

Já se vão cinco anos em que balas assassinas, disparadas por mãos assassinas, ordenadas por mentes assassinas, calaram a profecia de Ir. Dorothy. Mas sua profecia também não foi e não será silenciada. Seu clamor ecoa pela imensidão da floresta amazônica, perpassa nossas cidades, penetra em nossos lares, transpõe as mais diversas fronteiras. Neste seu quinto ano de morte, nossa profissão de fé: Ir. Dorothy: uma profecia calada, mas não silenciada

Ir. Zenilda Luzia Petry –IFSJ
Presidente da CRB Regional de Belém
Pará e Amapá

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma Mulher... Uma Missão neste Chão

Este ano está fazendo 5 anos que a imagem de uma mulher de 73 anos, assassinada e abandonada sobre o barro encharcado pelas chuvas num travessão de ANAPU-Pará, chocou e comoveu o Brasil e o mundo no dia 12 de fevereiro de 2005.

Segundo Lúcio Flávio Pinto, esta cena chocou o mundo:
“Por quatro circunstâncias agravantes no conjunto macabro das mortes por encomenda e da violência em geral que caracteriza o sertão paraense como o mais conflituoso do meio rural brasileiro. Em primeiro lugar, por ser mulher. Em segundo, por ser idosa. Em terceiro, por sua condição de religiosa. E, em quarto, pela dupla nacionalidade, que a manteve como estrangeira. Mas há ainda um quinto fator de comoção humana: a forma da sua execução.” (JP, nº 340, fev 2005)

Essa mulher, para não corrermos o risco de esquecê-la, não só a ela como a sua luta, é a Irmã Dorothy Mae Stang, missionária da Congregação de Notre Dame de Namur. Justo ela, que teve a coragem de sair de sua Pátria para uma terra distante e nessa terra assumir a perigosa missão de defender os direitos de homens, mulheres e crianças pobres, expropriados do seu bem maior – UMA VIDA DIGNA. Entretanto, ao pregar o EVANGELHO DA JUSTIÇA, ela desafiou o poder de um sistema político-econômico excludente, opressor e porque não dizer, assassino.

Coincidentemente, nesse ano de 2005, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs-CONIC realizava a Campanha da Fraternidade SOLIDARIEDADE E PAZ, com o lema FELIZES OS QUE PROMOVEM A PAZ. Uma cruel e infeliz contradição! Ver o sangue derramado, no chão da floresta, de uma mulher que dedicou sua vida para promover a paz, fazendo do seu cotidiano um permanente gesto de fraternidade neste chão da Amazônia.

É, querida irmã Dorothy, profetisa de Anapu, anjo dos povos de nossas florestas, viveste na linha de tiro dos grileiros, madeireiros e fazendeiros. As mãos opressoras e assassinas desses senhores te perseguiram, te caluniaram, mas tu não desististe, e eles também não desistiram. O teu sorriso, o teu amor e o teu ideal incomodavam. Eram mais forte que todas as terras e o lucro por elas gerado, por isso o consórcio foi instaurado, pistoleiros foram contratados. Seis tiros ecoaram no meio da floresta. Atingiram tua cabeça, teu coração e teu ventre. Quiseram assim, neutralizar teu PENSAR, teu SENTIR, teu GERAR, porém não conseguiram. Tu não morreste. Tu vives. Tu és semente brotando, dando flor e frutos no chão de cada um dos que lutam em defesa dos direitos humanos e contra a impunidade.

DOROTHY SEMENTE, DOROTHY PRESENTE!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"NÃO" A HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE!

O Comitê Dorothy também se solidariza com os Povos do Xingu e convida todos e todas, comprometidos com a “Vida”, a se solidarizarem e somarem forças neste momento de luta e resistência.

VIGÍLIA CONTRA LIBERAÇÃO DA LICENÇA PRÉVIA DA USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE

A Amazônia mais uma vez está ameaçada. Para atender às ordens das grandes mineradoras, os governos de Lula e Ana Júlia preparam o que poderá ser o maior desastre ambiental da nossa história: A construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, no rio Xingu.

Caso o projeto seja implementado, mais de 20 mil pessoas serão retiradas de forma violenta de suas casas; 100 mil pessoas migrarão para a região, mas ao final da obra só restarão 700 empregos; de toda a energia que poderá gerar a UHE 80% será levada para o Sul e Sudeste do País e o restante servirá para alimentar as máquinas destruidoras e engordar o lucro das empresas Alcoa e Vale do Rio Doce. Isso deixará apenas destruição, miséria, fome e violência para toda a biodiversidade dos 13 municípios que sofrerão os impactos de Belo “Monstro”.

Neste momento os povos do Xingu contam com nossa solidariedade para resistirem ao mais pesado ataque do capital de toda a sua história. Por isso, o Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo Para Sempre convida todos e todas as pessoas comprometidas com a sobrevivência dos povos da Amazônia a dizer “Sim” à Vida e “Não” a Belo “Monstro”!!!

DIA: 04/02/10 (QUINTA)

LOCAL: CONCENTRAÇÃO NO CAN, ÀS 18H, EM NAZARÉ, SEGUINDO

EM CAMINHADA ATÉ O IBAMA, NA AV. CONSELHEIRO FURTADO,

1303, BATISTA CAMPOS.

fonte: www.xingu-vivo.blogspot.com

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

UM 2010 COM ESCOLHAS CONSCIENTES E SUSTENTÁVEIS

O primeiro mês do ano está terminando. Vamos refletir sobre algumas mudanças em nossas atitudes e comportamentos que nos levem a escolhas concientes e sustentavéis.

Que em 2010 você economize água.
Segundo a ONU, a escassez de água já atinge 2 bilhões de pessoas. Este número pode dobrar em 20 anos.
Faça a diferença no Ano Novo usando a água racionalmente, fechando a torneira enquanto escova os dentes e tomando banho em até 6 minutos.

Que em 2010 você consuma menos carne.
O consumo de carne animal gera desmatamento, desequilíbrio ambiental, poluição e desigualdade social.
É também um dos fatores responsáveis pelo aquecimento global.
Um Ano Novo melhor para todos pode começar na mesa de casa.

Que em 2010 você apague a luz.
Todo mundo deseja muita luz no Ano Novo.
Deseje você também para as gerações futuras, apagando as luzes que você não utiliza, abrindo as janelas, desligando o ar-condicionado e utilizando conscientemente o chuveiro e o ferro de passar.

Que em 2010 você deixe o carro em casa.
Ao deixar o carro em casa uma vez por semana você reduz consideravelmente os gases de efeito estufa na atmosfera,colaborando com o trânsito, se exercita e torna a cidade mais agradável.
Que no Ano Novo você vá par muitos lugares bacanas, a pé, de bicicleta, ônibus ou Metrô.

Que em 2010 você consuma orgânicos.
Alimentos orgânicos não possuem agrotóxicos e respeitam os ciclos das plantas, insetos e pássaros essenciais para manutenção de nossa vida.
Também são mais saborosos e saudáveis.
Que seu Ano Novo seja farto de escolhas conscientes e sustentáveis.

Que em 2010 você use menos papel.
Apesar de se precisar cada vez menos papel, a demanda por ele cresce ano a ano,consumindo rapidamente as florestas e ecossistemas inteiros.
O reflorestamento faz pouco efeito, uma vez que ele não traz de volta espécies nativas, animais e insetos. Use folhas usadas como rascunho e não imprima e-mails sem necessidade. Ajude garantir um Ano Novo e um futuro mais verde para todos.

Que em 2010 você utilize menos sacolinhas plásticas.
As inocentes sacolinhas plásticas do supermercados geram resíduos que levam centenas de anos para se decompor na natureza, além de aumentar os custos dos produtos.
Nos oceano são confundidas por algas pela tartarugas e outros amimais, que a comem e morrem asfixiados.
Leve sua própria sacola quando for fazer compras, para que o Ano Novo e o Amanhã da gerações futuras seja mais próspero e menos poluído.

Que em 2010 você prospere de forma sustentável.
Melhor que desejar um próspero Ano Novo, é desejar um Sustentável Ano Novo.
Que você consiga realizar seus sonhos, sem se esquecer do impacto que eles podem ter no meio ambiente e no futuro de nossos filhos.
Escolha com consciência os produtos que você compra.

Que em 2010 você seja voluntário.

Tire aquele velho plano da gaveta e informe-se sobre a instituições que precisam de voluntários.
Há milhares de pessoas por aí cujo o melhor presente de Ano Novo um pouquinho da sua atenção e do seu carinho.

Que em 2010 você mude o mundo.
Pequenas ações individuais são a maior força transformadora que se conhece.Ter uma atitude consciente em relação aos nossos hábitos de consumo é a melhor (e talvez única) maneira de se mudar o mundo.
Economize água, luz, recicle seu lixo, faça a sua parte e ajude a construir um futuro para todos.


EM DEFESA DO PRGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS - 3

Na última sexta feira, dia 22 de janeiro, em Brasília, esteve reunido o Fórum Nacional de Ouvidores de Polícia Militar vinculado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, coordenado pela Ouvidora do Estado do Pará Cibele Kuss.
O Comitê Dorothy, inspirado pelo exemplo de nossa profetisa irmã Dorothy Stang, se solidariza com as preocupações deste Fórum, manifestadas na carta EM DEFESA DO PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS - 3 dirigida ao Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva; ao Ministro da Defesa Nelson Jobim; ao Secretário Especial dos Direitos Humanos, Ministro Paulo Vanucchi e as Organizações e Entidades de Direitos Humanos.


EM DEFESA DO PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS - 3

No momento que todo o Brasil se irmana ao povo Haitiano, à família Arns e às famílias dos militares vítimas do terremoto no Haiti, cumprimentamos os esforços do Governo brasileiro, coordenados pelo ministro da Defesa Nelson Jobim, em contribuir para o socorro das vítimas e o resgate dos corpos.

É nesse cenário que somos chamados a refletir sobre os valores fundamentais da vida, entre eles o direito de morrer com dignidade, a ter um enterro digno e direito dos sobreviventes de viver com dignidade, reconstruindo suas vidas e além de chorar, o sagrado direito de enterrar os seus mortos.

Por infeliz coincidência, esta tragédia se abate sobre nós no mesmo momento que assistimos com apreensão o desenrolar do debate sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3), que tivemos o prazer de celebrar junto com tantos outros segmentos representativos da sociedade, já que participamos da cerimônia de lançamento no último dia 21 de dezembro, durante a nossa XXIX Reunião em Brasília.

Julgamos que naquele dia assumimos conjuntamente o compromisso de, aprovado que foi por nossos representantes, dentre outros tantos, na XI Conferência Nacional dos Direitos Humanos, difundir e implementar os diversos avanços propostos, muitos dos quais a história não nos perdoará o simples retrocesso.

Julgamos que o capítulo “Direito à Memória e à Verdade” é um daqueles que, sem revanchismo mas sem omissão, sem “caça às bruxas” mas sem cumplicidade e conivência, nos intimam a revisitar a história recente do Brasil para, ao resgatar a Memória e a Verdade, reestabelecer a verdade e dar a irmãos/ãs brasileiros/as o sagrado direito de se despedir dignamente de seus mortos.

Por outro lado, é importante também ressaltar que o Programa ultrapassa em muito esse tema ao abordar diversos outros aspectos essenciais para a promoção e defesa dos direitos humanos. No que tange especificamente à atuação deste colegiado, realçamos que o Programa traz avanços significativos para a consolidação de uma concepção de segurança pública cidadã como direito humano fundamental.

De nossa parte, faz-se imperativo frisar a existência de dispositivos que reforçam a necessidade de ampliação e fortalecimento dos mecanismos de controle da atividade policial. Dentre estes, encontram-se as Ouvidorias de Polícia, órgãos fundamentais para assegurar a adequação da atividade policial ao Estado de Direito e à proteção dos direitos humanos fundamentais da sociedade como um todo e dos próprios profissionais do sistema de segurança pública.

Por isso, confiantes de que nesse caloroso debate deve imperar o bom senso pela manutenção do texto e em respeito ao árduo trabalho de muitos, coordenado pelo Ministro Paulo Vanucchi, com quem queremos nos solidarizar neste momento, nós, Ouvidores/as de Polícia de 17 Estados Brasileiros, manifestamos irrefutável apoio ao PNDH 3 e solicitamos a imediata implementação de suas propostas.

Brasília- DF, 22 de janeiro de 2010.



CIBELE KUSS

Coordenadora do Fórum Nacional de Ouvidores de Polícia

ATO PÚBLICO CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

No anfiteatro da Praça da República, em Belém do Pará, no domingo do dia 24 de janeiro deste ano, o Comitê Inter-religioso realizou um Ato Contra a Intolerância Religiosa. Foi uma manhã de intensa espiritualidade e de denúncia, marcada por momentos de mística, de performance, oração, falas de representantes de igrejas cristãs e não cristãs. O poeta popular paraense, Antônio Juraci Siqueira, recitou o poema Tolerância 1000 feito especialmente para esse dia. A ele o nosso respeito e admiração.


TOLERÂNCIA 1000!

Bem vindos! Bem vindos sejam
ao encontro da amizade!
Todos por um, um por todos
em prol da fraternidade.
Que o amor sirva de guia,
gerando paz e harmonia
para toda a humanidade!

Que não exista entre nós
desnecessários duelos:
que todos, índios, caboclos,
negros, brancos e amarelos,
compreendam, finalmente,
que a força de uma corrente
reside na união dos elos!

Sejam nossas diferenças
quais cordas de um violão:
separadas mas coesas
nos acordes da canção.
Que cada um se reflita
no exemplo da própria mão:
cinco dedos desiguais
que juntos trabalham em paz,
unidos na mesma ação!

Seja a nossa tolerância
um elo fundamental
capaz de unir diferenças
em torno de um bem real.
Que cristãos, judeus, budistas,
islamitas e umbandistas
lutem por esse ideal!

Que todos pensem num mundo
mais justo, mais solidário;
que as mãos do amor e da ética
construam um novo cenário
onde o ser suplante o ter
e a paz deixe, enfim, de ser
três letras no dicionário.

Pela cultura da paz
sem olhar crentes e ateus,
pelo fim de tantas guerras
feitas em nome de Deus.
Que as armas da intolerância
da maldade e da arrogância
virem peças de museus!

Contra a discriminação
seja de que tipo for:
quer de opção sexual,
de credo, gênero, cor,
pensamento, ideologia,
modo de vida, etnia...
Todos têm igual valor!

Contra toda intolerância
dirigida à religião
que a Bíblia não é maior
nem menor que o Alcorão
e que o Deus de Ajuricaba,
não é melhor que o de Abraão.
Que a fé que move montanha
jamais sirva de barganha
e instrumento de opressão.

Vamos lutar por um mundo
onde a fé seja capaz
de tornar campos de guerra
em templos de amor e paz
onde Cristo, Maomé,
Ogum, Tupã e Javé
não se façam generais!

Contra todo fanatismo
que no mal finca a raiz.
Que a justiça seja, enfim,
na Terra a força motriz.
Que todos se deem as mãos
como amigos, como irmãos
por um mundo mais feliz!

Antonio Juraci Siqueira

Campanha da Fraternidade 2010

Acompanhe a programação em preparação da Campanha da Fraternidade 2010.

Esta Campanha da Fraternidade tem tudo para ser uma das mais participativas dos últimos anos. Pois além de ser ecumênica e, por isso, ampliar o raio de igrejas participantes, ela trás um tema muito instigante para os dias atuais: a economia.
Vale lembrar que o tema foi escolhido ecumenicamente por uma comissão de representantes das igrejas que compõem o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC - antes da crise econômica mundial mais recente que combaliu os alicerces do neoliberalismo, fazendo com que os maiores bancos do mundo entrassem em bancarrota e apelassem por socorro ao Estado.
Por se tratar de um tema amplo - "Economia e vida" - dá para abordar várias facetas da realidade social de nossas comunidades: miséira, desigualdade social, degradação ambiental, alternativas populaes de produção e consumo de bens, economia popular e solidária, etc. Tudo isto sustentato pela provocação do lema - "vocês não podem servir a Deus e ao diheiro" - que nos remete a uma opção entre os valores do Reino, que são justiça e paz, e os valores do mundo, que são o consumismo e a dominação de uma pessoa sobre a outra.
Diante de uma possibilidade como esta que teremos ao longo deste ano de estudar e desenvolver ações concretas sobre estes temas, vamos nos animar em convidar, estimular e envolver nossa comunidade de base na CFE 2010. E não esqueça, envie as fotos e os fatos dos eventos da CFE para o nosso blog pelo e-mail unidadecaic@gmail.com.

Veja o que já está acontecendo e o que ainda estar por vir:

18 a 22 de janeiro: Encontro de Multiplicadores da Campanha da Fraternidade Ecumênica / Arquidiocese de Belém;

28 de janeiro, quinta-feira, 18h: Reunião de avaliação do Encontro da CFE de Belém e organização da Abertura da Campanha. Na Catedral Anglicana de Santa Maria (Serzedelo Correa, entre Gentil e Conselheiro);

28 a 30 de janeiro - Encontro da CFE na paróquia de Nazaré / Marituba, sempre as 19h.

31 de janeiro, domingo: Encontro de Multiplicadores em Muaná;

03 de fevereiro, quarta, às 8h: Reunião ampliada de acompanhamento da CFE 2010;

05 de fevereiro, sexta-feira: Curso da CFE 2010 na Pedreirinha.

05 a 07 de fevereiro: Encontro de Multiplicadores da Campanha da Fraternidade Ecumênica / Prelazia do Xingu;

14 e15 de fevereiro: Retiro da Pastoal da Juventude.

17 de fevereiro, quarta-feira de cinzas, 9h: Coletiva de imprensa da CFE 2010. Na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Belém;

20 de fevereiro, sábado: Curso da CFE na Livraria Paulus.

21 de fevereiro, domingo: Abertura da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 em Belém. Na Escadinha do Cais do Porto

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Coordenação do CAIC
Tony Vilhena (metodista / ACER)
Lena Aguiar (luterana)
Celina Oliveira (católica / Focolares)
Revdo. Nádio Batista (presbiteriano)
Pe. Andréas Heyligers (católico)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

NO IV JULGAMENTO DE RAYFRAN DAS NEVES ADVOGADA DE DEFESA RECUA PARA BENEFÍCIO DO RÉU

Semana passada, dia 10 de dezembro de 2009, por volta das 5h da manhã, os membros do Comitê Dorothy se concentraram na Praça Felipe Patroni para preparar o espaço, com vista a realização da programação que aconteceria durante o julgamento de Rayfran das Neves Sales. Às 7h:30min foi iniciada uma Celebração Ecumênica, que contou com a presença de representantes de diversas igrejas cristãs, de entidades de defesa dos direitos humanos e movimentos sociais, no sentido de alimentar a espiritualidade e novamente sensibilizar a sociedade diante dos conflitos agrários, no interior do Pará que, em 2005, levaram à morte a missionária Dorothy Stang. Após a celebração dirigiram- se ao Fórum Criminal de Belém.

Para a surpresa de todos e todas, o julgamento não aconteceu, depois que a sessão foi aberta pelo juiz Raimundo Moisés Alves Flexa, presidente do 2º Tribunal do Júri de Belém, a advogada do acusado, Marilda Cantal, pediu a palavra declarando que a defesa desistia do novo julgamento, solicitando que fosse acatada a pena imposta no primeiro julgamento, em dezembro de 2005, de 27 anos de reclusão. Para Cantal, “um novo julgamento poderia prejudicar tanto a defesa quanto o réu”, sua intenção era de garantir benefícios ao seu cliente e evitar que a pena dele aumentasse. Disse ainda que entraria com pedido de progressão do regime fechado do acusado para o regime semi-aberto , já que ele havia cumprido um sexto de sua pena. Então, o juiz, depois de perguntar ao réu se ele abriria mão de seu julgamento e, tendo uma resposta afirmativa, acatou o pedido da defesa.

Considerando esse desfecho, o Comitê Dorothy entende que a estratégia de recuo da defesa trouxe ganhos significativos para Rayfran, pois a condenação de 29 anos de retenção, que lhe foi imposta no último julgamento, quando negou ter sido contratado por Vitalmiro Bastos e Regivaldo Galvão para matar a missionária, foi reduzida para 27 anos de retenção e, como disse José Batista Affonso, assistente de acusação, se fosse julgado novamente ele teria que cumprir dois terços da pena para ter progressão para o regime semi aberto. Entretanto, prevalecendo a setença do primeiro júri, o crime de Rayfran se qualifica duplamente, ou seja, um crime em que o executor matou com promessa de recompensa. Essa qualificação tem uma importância muito grande para que a teia do crime agrário, em que os mandantes ficam impunes, possa ser rompida e que se consiga julgar e condenar Regivaldo Galvão e Vitalmiro Bastos.

POR UMA AMAZÔNIA LIVRE DO LATIFÚNDIO OPRESSOR E CRIMINOSO!

É o que esperamos. Dorothy presente! Dorothy semente!


Comitê Dorothy