terça-feira, 11 de maio de 2010

MANDANTES E ASSASSINOS, JULGADOS E CONDENADOS.

A justiça tarda, mas não falta”, eis um ditado popular verdadeiro. Quando o povo fala este ditado fica claro que a morosidade da justiça tem contribuído para o adiamento constante da consolidação democrática do país, ou seja, não teremos autêntica democracia sem a presença eficaz da justiça social. Esta deve permanecer presente como ferramenta necessária na construção de uma sociedade de iguais. A luta constante de muitos membros da Igreja é para que a justiça de fato funcione e que todos, principalmente os pobres, que são os mais injustiçados, tenham seus direitos respeitados.

A missionária norte-americana Ir. Dorothy Stang, assassinada a tiros no dia 12 de fevereiro de 2005 em Anapu, PA é um dos modelos de martírio da Igreja atual. O dom do martírio é concedido por Deus às mulheres e homens que se deixam conduzir pelo Espírito Santo. O mártir não morre à toa. Não se pode atribuir a graça do martírio a qualquer assassinato que acontece na sociedade. O mártir é a pessoa que se encontrando no seguimento de Jesus de Nazaré e guiado por seu Espírito entrega a sua vida pela causa do Reino de Deus. Eis o conceito clássico e autêntico de martírio. Desta forma, fica claro que não existe martírio fora do seguimento de Jesus, nem sem a devida referência ao Reino de Deus. A Ir. Dorothy Stang morreu pela justiça do Reino de Deus.

No início da madrugada deste 1º de maio, Regivaldo Pereira Galvão, “o Taradão”, um dos mandantes do crime, foi condenado a 30 anos de prisão pela Justiça do Estado do Pará. Antes deste, outros quatro também foram condenados, a saber: Rayfran das Neves Sales, condenado a 28 anos, por executar a Irmã; Clodoaldo Calos Batista, condenado a 17 anos, por participar do assassinato; Amair Feijoli da Cunha, condenado a 18 anos, por intermediar a contratação do executor; Vitalmiro Bastos de Moura, “o Bida”, condenado a 30 anos, um dos mandantes do crime. O crime teria sido encomendado a um valor de 50 mil reais.

Estes cinco criminosos tentaram calar a voz da Igreja na Amazônia. A Ir. Dorothy não agia em seu próprio nome, mas em nome de Deus e em comunhão com a Igreja. Hoje, sua missão é assumida por um Bispo profeta, Dom Erwin Krautler, missionário austríaco na Prelazia do Xingu, e por tantas mulheres e homens que trabalham na construção do Reino de Deus, perseguidos e mortos, clandestinamente. A fé cristã é dinâmica e o sangue dos mártires fecunda a vida da Igreja e do mundo. Todo assassino perde seu tempo pensando que matando um (a) missionário (a) de Jesus a missão profética acabará. O Espírito de Deus tem despertado profetas e profetisas na hora e nas circunstâncias certas da história.

A justiça paraense não pode aceitar recurso algum para redução de pena, anulação de julgamento, habeas corpus etc. em favor de tais criminosos. Eles precisam responder pelo que fizeram. São uma ameaça ao convívio social, precisam ser mantidos presos, pois tudo o que ameaça a segurança pública e a vida da Amazônia precisa estar no estado constante de vigilância. A Justiça sabe da necessidade de um olhar prudente e permanente para a situação da floresta amazônica. Políticas de segurança pública são urgentes para a proteção da floresta e dos povos indígenas que lá residem. A Amazônia é patrimônio da nação brasileira e da saúde do planeta e precisa ser protegida urgentemente. Não se pode mais tolerar o desmatamento, a poluição e a grilagem de terras que ocorrem desordenadamente.

O martírio da Irmã Dorothy Stang interpela a Igreja e a todos os cristãos a se empenharem cada vez mais na luta pela justiça do Reino de Deus. O Reino acontece quando os seguidores de Jesus buscam viver o amor e a justiça. O testemunho da Ir. Dorothy é de amor e de justiça. As Igrejas cristãs precisam renunciar ao prestígio e as riquezas para se dedicarem cada vez mais à prática da justiça. Uma Igreja inserida na luta pela libertação dos oprimidos é uma Igreja de mártires, pois os poderosos deste mundo não toleram os profetas e profetisas do Reino. Somente a profecia, vivida na verdade e no amor, constrói verdadeiramente a Igreja e uma sociedade justa e fraterna.

Tiago de França

UM JULGAMENTO HISTÓRICO

Elias Diniz Sacramento


Depois de mais de quinhentos e dez anos da chegada dos portugueses no Brasil, e dos seus crimes contra todos os povos indígenas, que nunca foram punidos, os latifundiários deste país, que sempre seguiram o exemplo dos portugueses, vão pensar duas vezes antes de cometerem algum mal contra alguém que luta e defende os pequenos desta terra.

Pela primeira vez na história desse país e, mais precisamente no Estado do Pará, campeão em violência no campo, graças ao reinado da impunidade, uma quadrilha toda foi colocada atrás das grades para pagar, perante a lei dos homens pelo crime que cometeram. O crime, o assassinato da Irmã Dorothy Mae Stang, não só Irmã, mas como um dos sobrenomes sugere, “Mae”, “Mãe” dos que com ela conviveram, dos irmãos e filhos de Anapu, filhos sofridos e por ela amados.

Diversas vezes, os meios de comunicação da elite insinuaram que o processo só estava correndo mais rápido porque a Irmã Dorothy era estrangeira, norte americana. Mentiram, porque quem ama o próximo não tem fronteiras, não tem país, vive no amor de Cristo, que é Universal. Esse amor, a Irmã Dorothy soube levar por onde passou. O amor da fraternidade, da partilha, diferente do amor dos fazendeiros, dos grileiros de terra, dos que vêm de fora para esta terra pensando no egoísmo, de ganharem muito dinheiro apenas para si mesmo. Quando pensam nos outros, é para explorar. O amor da Irmã Dorothy era para partilhar o bem comum das terras sem devastar. São pensamentos diferentes e projetos diferentes, onde a ganância de alguns contrasta com o amor dos pobres e oprimidos.

Quantos já morreram por causa desse projeto coletivo, da partilha da terra para dar um sustento digno para as famílias desse país, que também são filhos desta Pátria, às vezes não muito gentil com seus filhos? Irmã Adelaide Molinari, Padre Josimo Tavares, o pai e os filhos Canuto, Dema, Dezinho, Expedito Ribeiro, Benezinho, meu pai Virgílio Serrão Sacramento, 19 Sem Terra em Eldorado dos Carajás e muitos e muitos outros que não pensaram duas vezes de que lado ficar em nome do amor, o verdadeiro amor ensinado por Jesus Cristo, que diz “Não existe prova de amor maior, do que doar a vida pelo próprio irmão”.

O julgamento e a condenação de todos os acusados pelo envolvimento na morte da Irmã Dorothy significam muito para toda a sociedade brasileira, mas precisamente paraense. Não significa dizer que a impunidade no campo acabou, mas que exemplarmente, houve uma condenação justa, que embora se saiba que existem outros fazendeiros de Anapu envolvidos no assassinato, agora vão pensar mais quando forem tirar a vida de alguém que defende o projeto de Deus nesta terra. Isso não quer dizer que daqui para frente a criminalidade vai acabar, porém esses gananciosos, a partir dessa condenação, já sabem que com fé em Deus e muita pressão, a Justiça funciona.

Condenar todos os assassinos da irmã Dorothy, não significa dizer que a luta acabou. Há muitos outros processos que precisam ser julgados e nós vamos continuar nessa batalha para que eles possam ser levados a júri popular. Entretanto, essas condenações têm um significado muito grande. A partir de agora, os grandes latifundiários gananciosos sabem que as coisas não são mais como eles pensavam - tomar terras, matar e tudo ficar impune, como sempre aconteceu.

Tenho certeza que todos os que morreram lutando por um projeto de igualdade, neste Brasil e nesta Amazônia, não morreram em vão, e eles, os MÁRTIRES DA TERRA, assim com nós, estão felizes com a condenação de Regivaldo Galvão. Devem estar comemorando no Céu com a Irmã Dorothy esta vitória.

Todos os Mártires da Terra Vivem? Sempre! Sempre!

Irmã Dorothy vive? Sempre! Sempre!


Elias Diniz Sacramento é filho do sindicalista Virgílio Serrão Sacramento, assassinado em Moju no dia 05 de abril de 1987 a mando de grileiros do município. É Mestre em História Social da Amazônia pela UFPA. Autor do livro 'A luta pela terra numa parte da Amazônia: o trágico 07 de setembro de 1984 em Moju'. É Membro da fundação Virgílio Serrão Sacramento de Educação e colaborador da CPT Guajarina.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

QUE TUA SERVA, SENHOR, DESCANSE EM PAZ!

Quando a justiça e a verdade germinam na terra, o amor e a paz desabrocham quais flores viçosas. É destas flores viçosas que fazemos um ramalhete e depositamos na sepultura de Ir. Dorothy, acompanhada de nossa prece: Agora Senhor, deixa tua serva partir em paz (cf. Lc 2,29).
Sim! Dia 30 de abril de 2010 encerrou-se uma fase da história do sangue derramado que manchou o solo de Anapu, aos 12 de fevereiro de 2005. Este sangue de Ir. Dorothy uniu-se ao sangue de tantas vítimas, cujas veias foram rasgadas pela violência e cobiça que golpeia nossa terra, gerando um mar de lágrimas.
O sangue de Ir. Dorothy, unido ao sangue das outras vítimas da violência, tanto no campo quanto na cidade, fez jorrar um rio de clamores por justiça e uniu pessoas de credos, etnias e condições culturais e sociais distintas. Um brado só chegou ao coração da justiça e, porque não dizer, ao coração de Deus.
A história ainda não deu sua última palavra, mas a força do clamor por justiça, contra a impunidade, resultou na condenação dos cinco acusados da morte de Ir. Dorothy.
Quando, na madrugada deste dia 1º de maio a sentença foi proferida, não foi apenas uma sentença contra um dos mandantes do crime de Ir. Dorothy. Era uma brecha de esperança que se abria para todas as pessoas que sofrem a dor da perda dos seus, cuja justiça tarda demais e não permite que as vítimas “descansem em paz”.
Longe de qualquer sentimento de vingança, a condenação de Regivaldo Pereira Galvão é uma convocação para que todos e todas prossigamos na busca de um mundo mais humano, justo e solidário, sem violência e sem impunidade. Que o amor e a verdade se encontrem e que a justiça e a paz se abracem, conforme reza o salmista (Sl 85,11) e cuja prece também fazemos.
E que agora Ir. Dorothy possa descansar em paz, porque cabe a nós o cultivo das sementes jogadas no chão da história.
Ir. Zenilda Luzia Petry – IFSJ
Presidente da CRB Regional

A FORÇA E A FÉ DE UM COMITÊ

A vida é o oposto da morte e os pensamentos de morte são necessários se queremos pensar de maneira significativa na vida .... as mais intensas experiências de vida acarretam as mais intensas experiências de morte (Rollo May, em Liberdade e Destino).
Com este pensamento acima quero testemunhar e reconhecer a força e a fé de um comitê. Trata-se do Comitê Ir. Dorothy, constituído por pessoas cujos sonhos convergiram nesta direção de pensar na vida de maneira significativa, a partir de uma intensa experiência de morte.
Em Anapu, há cinco anos, morria Ir. Dorothy. Sua morte deu novo significado à vida de muitas pessoas. A luta por justiça, o clamor contra a impunidade, a articulação de iniciativas em prol da verdade, a sustentação dos sonhos de quem acreditou num desenvolvimento sustentável para a Amazônia, tudo isto fez surgir o Comitê que, imbuído de força e fé, se pôs solidário com outras experiências intensas de morte, marcadas pela violência e acompanhadas da impunidade
O Comitê Dorothy é fruto de uma intensa experiência de morte que resultou numa grande experiência de vida. Participantes da primeira hora já deixaram atrás de si um testemunho inegável de doação, generosidade, entrega sem medidas. Este testemunho vai se fazendo convocação para outras pessoas que se somam ao sonho comum de que é com justiça que se faz um mundo novo.
O Julgamento do quinto acusado exigiu de todos e todas, o empenho redobrado. Muita emoção a ser contida, muita articulação a ser feita, uma doação sem precedentes. Mulheres e homens, jovens e idosas, montando acampamento, providenciando recursos zelando pelos alimentos, acolhendo pessoas. Noites sem dormir, madrugadores em vigília, atenção redobrada. Além de ser suporte para os que responsáveis do processo judicial, o Comitê, junto com outras entidades, sustentou a mística da resistência para se chegar ao julgamento de todos os acusados.
A maior alegria do Comitê Dorothy não é, certamente, a condenação das pessoas acusadas, mas o sinal de que a impunidade não tem a última palavra. E por ser tal seu norte, o Comitê vai se tornando referência para tantas outras pessoas que clamam por justiça. A frase repetida nas praças por tantas pessoas - mataram meu filho e não consigo a justiça – convoca o Comitê a prosseguir na força e na fé.
A gratidão e o reconhecimento de quem testemunhou tanta solidariedade.
Ir. Zenilda Luzia Petry – IFSJ
Presidente da CRB Regional
( CRB - Conferência dos Religiosos do Brasil)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

NOTA À IMPRENSA

JURI DE REGIVALDO GALVÃO, PRINCIPAL MANDANTE DO ASSASSINATO DE DOROTHY STANG

Regivaldo integrava de uma quadrilha especializada na prática de vários crimes


Fraudes, agiotagem e desvios de recursos públicos - Investigações realizadas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal a partir de 2001, comprovaram que Regivlado Pereira Galvão representava um dos principais elos da organização criminosa especializada em grilagem de terras públicas, uso de pistolagem e desvios de recursos públicos da extinta SUDAM. Sua casa funcionava como um “banco da organização”, auxiliando nas fraudes e na lavagem do dinheiro adquirido mediante os projetos fraudulentos e fornecendo capital para que a quadrilha pudesse implementar os negócios paralelos. A Polícia Federal apreendeu em seu “banco de financiamento doméstico”, o total de R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais) em moeda circulante. Foi denunciado por crimes de formação de quadrilha, estelionato e outros, na Justiça Federal do Estado do Tocantins. Regivaldo, também conhecido como ‘Taradão’, fazia parte da “engrenagem de uma azeitada máquina fraudadora, denominada máfia da Transamazônica, que por muitos anos sugou milhões dos cofres públicos”, afirma o MPF. Ainda segundo as investigações, Regivaldo era um dos principais operadores do esquema criminoso, por ter fortes ligações com políticos regionais e com o então senador e atual deputado federal, Jader Barbalho.

Grilagem de terras públicas, uso de laranjas, violência e pistolagem - O lote 55 da Gleba Bacajá, local onde a Missionária Dorothy Stang foi assassinada, estava na área de interesse do grupo de fraudadores da SUDAM... (O artigo é longo mas vale a pena - LEIA MAIS AQUI)
Comissão Pastoral da Terra – CPT Regional Pará

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O MANDANTE NÃO PODE FICAR IMPUNE


CASO DOROTHY: O PRINCIPAL MANDANTE NÃO PODE FICAR IMPUNE

Assassinada, com seis tiros, aos 73 anos de idade, em 12 de fevereiro 2005, no município de Anapu, no Estado do Pará-Brasil. No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros que morreram e ainda morrem no campo da Amazônia, sem ter seus direitos respeitados.

O crime foi minuciosamente premeditado, ficando comprovada a participação hierárquica de mandantes, intermediário e executores. Os dois fazendeiros, mandantes do crime, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida e Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, faziam parte de uma sociedade criminosa que decidiu tirar a vida da religiosa.

Atente para o dia 30 de abril de 2010.
Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, sentará no banco dos réus. É ele o outro fazendeiro e principal mandante do covarde assassinato de Irmã Dorothy.

É hora de darmos um BASTA a tanta VIOLÊNCIA, IMPUNIDADE e INJUSTIÇA no Estado do Pará.

Participe desta luta a favor da Vida, da Justiça e
da Paz.


LOCAL: Fórum Criminal de Belém - Praça Felipe Patroni- Cidade Velha
INÍCIO: 07:00h com celebração inter-religiosa.
COMITÊ DOROTHY

sábado, 17 de abril de 2010

CARTA DE AGRADECIMENTO

Caros amigos (as)

Em 12 de fevereiro de 2005, a opinião pública nacional e internacional, foi sacudida pela noticia da morte violenta de Irmã Dorothy Mae Stang.

Em 12 de abril de 2010, 5 anos e dois meses depois, a opinião pública nacional e internacional foi novamente sacudida pela condenação de 30 anos de reclusão de um dos fazendeiros mandantes do cruel assassinato.

Esta é uma mensagem de agradecimento, pelo que cada entidade e cada indivíduo fez: desde as reuniões para as atividades durante o júri, a preparação do acampamento Dorothy Vive na Praça Felipe Patroni, até o final do julgamento pelo Tribunal do Júri de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, um dos fazendeiros mandantes responsáveis pelo crime, em que a justiça prevaleceu.

Desde que iniciamos as atividades como Comitê, temos em mente que se trata de um projeto de vida e não apenas de algumas ações pontuais de combate a impunidade. É projeto de vida em duas dimensões: porque a luta é difícil e longa, e porque a impunidade gera mais mortes. Talvez seja muito importante destacar esse lado negativo, porque a impunidade, gera além de mortes, a exclusão social, o trabalho escravo, a devastação da natureza. Essa é a agenda da impunidade.

Pensando, em função da ocasião, na Justiça feita, sentimo-nos desafiados a seguir adiante nessa luta árdua, contando com o indispensável apoio de vocês. Essa mensagem é de agradecimento, mas é também uma mensagem de desafio, para que o seu envolvimento pessoal e da entidade a qual você pertence, possa ser ainda maior no próximo dia 30 de abril, data em que irá sentar no banco dos réus, o outro fazendeiro mandante do assassinato de Irmã Dorothy, Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão.

Vamos concentrar nossas forças nessa nova tarefa e, para isso, aqui fica o nosso apelo, para que cada pessoa ponha nela seu coração.

Recebam, portanto, nossos sinceros agradecimentos, e um grande abraço de todos nós, em particular, aos trabalhadores rurais que, em diversos municípios desse Pará afora, tem se dedicado e apoiado a nossa causa com toda a dignidade da participação coletiva, e com o compromisso de sempre lutar por uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna como sempre Irmã Dorothy desejou.

COMITE DOROTHY

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Secretaria de Direitos Humanos vai acompanhar julgamento de mandantes do assassinato de Dorothy Stang

Secretaria de Direitos Humanos vai acompanhar julgamento de mandantes do assassinato de missionária
Gilberto Costa, Repórter da Agência Brasil

A Secretaria de Direitos Humanos deverá acompanhar os julgamentos de Vitalmiro Bastos de Moura (Bida) e Regivaldo Pereira Galvão (Taradão), supostos mandantes do assassinato da missionária Dorothy Stang ocorrido em Anapu (PA), em 12 de fevereiro de 2005.

A secretaria confirmou o envio de dois dirigentes, além de representantes do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH).

A medida atende a pedido das irmãs da congregação Notre Dame de Namur, da qual fazia parte Dorothy Stang. As irmãs também pedem que o Ministério da Justiça acompanhe os julgamentos. O ministério informou que estudará a possibilidade de enviar representantes assim que receber o pedido.

Além dos “observadores institucionais”, as irmãs pedem “atenção” da seccional paraense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da OAB nacional “para condutas profissionais que margeiam ética e leis”.

No dia 31 de março, os advogados de defesa de Vitalmiro, conseguiram adiar o julgamento em 2ª instância, marcado para aquela data. A defesa não compareceu ao júri, o que forçou a convocação da defensoria pública e o estabelecimento de nova data para o julgamento: 12 de abril.

A defesa de Vitalmiro protocolou, no dia 31 de março, um pedido de adiamento do júri argumentando que o pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para a soltura de Bida, preso desde o dia 4 de fevereiro, ainda não havia sido analisado. O habeas corpus não tem efeito suspensivo sobre o julgamento. O relator do pedido no STF, ministro Cezar Peluso, ainda não emitiu parecer.

As irmãs de Notre Dame pedem mobilização da sociedade civil para os julgamentos e reiteram “a continuidade da violência e dos crimes em Anapu”.

Para a irmã Rebeca Spires, há relação entre a violência e a impunidade. “O fato de esses mandantes estarem impunes faz com que os crimes continuem lá em Anapu, assim como ocorre em outros lugares porque a impunidade é generalizada”.

“Essa questão da impunidade faz perpetuar os crimes. Isso é uma vergonha para o Pará, para o Brasil. Enquanto não quebra essa impunidade, o crime organizado continua”, assinalou a missionária.

Vitalmiro Bastos de Moura foi condenado a 30 anos de prisão em 2008, no primeiro julgamento, e teve o benefício previsto em lei que prevê um novo júri para condenados a mais de 20 anos de prisão. No segundo julgamento, ocorrido em 2009, ele foi absolvido. O Ministério Público recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou a sentença.

O julgamento de Regivaldo Pereira Galvão está previsto para o dia 30 de abril. A Agência Brasil tentou ouvir os advogados de defesa de Regivaldo e Vitalmiro, mas não recebeu retorno.

Caso Dorothy: Os mandantes não podem ficar impunes!


No próximo dia 12, Vitalmiro Bastos de Moura volta ao banco dos réus, para ser julgado pelo tribunal do júri, por sua participação no assassinato da missionária Dorothy Stang. Dia 30, será levado a julgamento de Regivaldo Pereira Galvão. Os dois fazendeiros faziam parte de uma associação criminosa que, em fevereiro de 2005, decidiu tirar a vida da religiosa oferecendo 50 mil reais, através do intermediário Amair Feijoli para Raifran das Neves e Clodoaldo Batista assassinarem Irmã Dorothy.

Os dois fazendeiros eram “sócios” em negócios criminosos no município de Anapu, envolvendo, grilagem de terras públicas, desmatamento e extração ilegal de madeira, trabalho escravo, ameaças e expulsões violentas de posseiros dos Projetos de Desenvolvimento Sustentáveis.

As denúncias de variados crimes praticados por Bida e Regivaldo, nos anos que antecederam ao assassinato da missionária, feitas pela CPT de Anapu, através de Irmã Dorothy, e também pelos movimentos sociais locais, chegaram às autoridades estaduais e federais, resultando em diversas ações do poder público contra os dois fazendeiros. Em junho de 2004, Bida e Regivaldo foram autuados por trabalho escravo no lote 55; em julho também de 2004, a Polícia Federal pede a prisão dos dois por crimes de trabalho escravo, grilagem de terra, formação de quadrilha e porte ilegal de armas; em agosto e novembro do mesmo ano os dois foram multados em 3 milhões de reais pelo IBAMA por desmatamento e queimada ilegais no lote 55.

Tendo seus crimes desvendados e seus interesses econômicos contrariados, pelas denúncias feitas por Dorothy e os movimentos sociais de Anapu, os dois planejaram a morte da missionária: “enquanto não se der um fim nesta mulher nós não vamos ter paz nestas terras em Anapu”, sentenciou Regivaldo a Bida, “Fala com Raifran que se ele quiser tem 50 mil para matar a irmã Dorothy”, foi a ordem dada por Bida através do intermediário Amair. Além de prometer os 50 mil, que seriam pagos por ele e Regivaldo, Bida forneceu a arma, a munição, deu proteção aos criminosos em sua fazenda, orientou-os a sumir com a arma do crime, como fugirem do cerco da polícia e ainda garantiu advogado para defendê-los, sob a condição de que não revelassem o nome dos mandantes.

A CPT, o comitê Dorothy e demais entidades que lutam por justiça no caso Dorothy, alertam a sociedade e o poder judiciário sobre as manobras da defesa dos fazendeiros com o objetivo de protelar os julgamentos e inocentá-los. Aceitar e se submeter a essas manobras faria aumentar ainda mais o descrédito da sociedade no Poder Judiciário.

Prometeram pagar para que Raifran e Clodoaldo assassinassem a religiosa e agora estão pagando para que os executores e intermediário mudem seus depoimentos para inocentar os mandantes. Documentos juntados ao processo comprovam que o DVD usado no último julgamento que absolveu Bida e que foi anulado pelo Tribunal de Justiça por contrariar as provas existentes nos autos, custou 300 mil reais aos mandantes. Podem continuar comprando os assalariados do crime, mas não comprarão a justiça.

O crime contra Dorothy foi premeditado, ficando fartamente comprovada a participação de cada um de forma hierárquica: mandantes, intermediário e executores, cada um cumprindo seu papel na ação criminosa. A condenação de Vitalmiro e Regivaldo é um passo importante no combate à violência e impunidade no campo no Pará, Estado onde 62% dos crimes no campo nas últimas décadas sequer foram investigados e o único mandante condenado, que cumpre pena atrás das grades é Vitalmiro Bastos de Moura, conforme dados da CPT Pará.

Dorothy vive na luta do povo!

Belém-PA, 09 de abril de 2010.
Comissão Pastoral da Terra – CPT Pará
Comitê Dorothy
* Imagem obtida no site da Revista Época (Veja AQUI)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CASO DOROTHY STANG: É HORA DE FAZER JUSTIÇA!

É HORA DE FAZER JUSTIÇA!

  • 7 de junho de 1931 – Nasceu, na cidade de Dayton, no Estado de Ohio, Dorothy Stang. Veio para o Brasil em 1966, fazendo parte de uma congregação internacional da Igreja Católica – Irmãs de Notre Dame de Namur – que tem como princípio ajudar os mais pobres e marginalizados.

  • 12 de fevereiro de 2005 – A missionária Dorothy Stang é covardemente assassinada em Anapú, Pará, por defender uma sociedade mais justa para os trabalhadores rurais do município.

  • 31 de março de 2010 – Um dos mandantes do crime, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, teve seu terceiro julgamento adiado. Ele é apenas a ponta de uma rede de criminosos que tramaram contra a vida de Dorothy.

Basta! No Estado de Direito em que vivemos, há recurso para tudo. Condenações, absolvições, Habeas Corpus, anulações, adiamentos, um vaivém sem fim. A sociedade a tudo assiste perplexa, sem entender o que se passa. Só um fato concreto nos resta de tudo isso: um crime vil foi cometido há cinco anos e os mandantes ainda não foram julgados definitiva e seriamente.

É Hora de fazer justiça! Não podemos aceitar a impunidade e a mentira. O dinheiro não pode falar mais alto, os grileiros, fazendeiros e madeireiros de terras do Pará não podem fazer o que querem, como se neste Estado não existissem leis.

Por isso, chamamos toda a sociedade a se solidarizar com esta causa e participar da mobilização que irá ocorrer durante este julgamento.

Venha, participe conosco nesta luta contra a Violência e a Impunidade.

DATA: 12 de abril de 2010
LOCAL: Fórum Criminal de Belém - Praça Felipe Patroni - Cidade Velha
INÍCIO: 07:30h com celebração inter-religiosa.

Comitê Dorothy